20/04/2020 às 13:36

Em três meses, Auxílio Emergencial deve injetar 1.7 bilhão na economia alagoana

A Caixa Econômica Federal informou que, até a noite de ontem (13), 34,3 milhões
de pessoas se cadastraram receber o auxílio emergencial de R$ 600. O benefício a
trabalhadores de baixa renda afetados pela pandemia de coronavírus começará a ser
sacado em dinheiro a partir desta terça-feira, dia 14. A Federação do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL) estima que medida represente
a injeção de cerca de R$ 579.6 milhões ao mês, chegando a R$ 1.7 bilhão no trimestre
em que estará vigente.
O assessor econômico da entidade, Felippe Rocha, explica que a projeção
considera dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD),
realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), e do Relatório de
Informações Sociais do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS).
Segundo a PNAD Contínua (dados do 4º trimestre de 2019), em Alagoas, existem
52 mil trabalhadores domésticos sem carteira assinada; 6 mil empregadores sem CNPJ,
configurando-se como trabalhadores informais; e 238 mil que trabalham por conta
própria e sem CNPJ. No total, 296 mil alagoanos estão em situação potencial para o
recebimento do auxílio. Considerando o valor unitário do benefício, isso significa uma
injeção de renda potencial R$ 177.6 milhões.
Já os dados do Relatório de Informações Sociais demonstram que existem
386.376 famílias alagoanas recebendo o Bolsa Família e, portanto, aptas a receberem o
auxílio emergencial. Contabilizando apenas este programa social, o valor de R$ 600
significará uma injeção de R$ 231.8 milhões.
O relatório traz, ainda, dados relativos ao Cadastro Único (CadÚnico). Embora
nem todos que estão neste cadastro recebam o Bolsa Família, possuem renda per capta
compatível com os critérios estabelecidos pelo governo para recebimento do auxílio.
Isso representa 238.718 famílias no CadÚnico (mas fora do Bolsa Família), com potencial
injeção de renda de R$ 170.2 milhões.
Somando-se as projeções de cada grupo, chega-se ao montante de R$ 579.6
milhões mensais e, no acumulado, R$ 1.7 bilhão. De acordo com o economista, desse
montante, cerca de R$ 83.3 milhões devem circular em Maceió, já que existem 59.206
famílias inscritas no Bolsa Família e 79.651 que estão no CadÚnico sem receberem
nenhum benefício.
“Obviamente, o valor na capital a ser percebido será ainda maior, já que existem
trabalhadores informais, autônomos, empregadores sem CNPJ e trabalhadores por
conta própria sem CNPJ também. Contudo, as planilhas da PNAD contínua, fornecidas
pelo IBGE, não descrevem o número desses trabalhadores na capital, como faz nas
planilhas para o Estado de Alagoas. Assim, podemos apenas analisar a renda injetada
pelos que estão cadastrados no CadÚnico”, observa Felippe.
Com base na mesma metodologia, o assessor econômico da Fecomércio estimou
o volume que deve circular em Palmeira dos Índios, União dos Palmares, Penedo e
Arapiraca; municípios onde a Federação tem sindicato filiado.
Em Palmeira dos Índios, com 17.522 inscritos no CadÚnico (entre Programa Bolsa
Família e apenas no cadastro), a injeção de renda será de R$ 10.5 milhões ao mês e R$
31.5 milhões no trimestre. Em União dos Palmares, com o alcance de 17.315 famílias, o
volume estimado é de R$ 10.38 milhões ao mês e R$ 31,14 milhões durante a vigência
do auxílio. Com 16.204 famílias, Penedo deve receber uma injeção de R$ 9.72 milhões
ao mês, totalizando R$ 29.16 em três meses. Por último, em Arapiraca, são 33.056
famílias inscritas no CadÚnico, projetando cerca de R$ 19.8 milhões mensais e 59.4
milhões no trimestre.
Em termos absolutos, os valores são significativos. Entretanto, o especialista
lembra que, segundo estimativa do Instituto Fecomércio AL, um único mês de suspensão
de atividades em Alagoas (nos setores não-essenciais) significa deixar de gerar riqueza
no valor de R$ 1,6 bilhão. Já a injeção de renda decorrente do auxílio emergencial em
Alagoas, no trimestre, será de R$ 1,7 bilhão que, em sua maior parte, deve ser destinado
aos setores de alimentação e farmácia.
Segundo ele, devido às limitações de dados oferecidos pelo IBGE, não é possível
precisar com exatidão o volume injetado em cada município, pois os dados do CadÚnico
são importantes, mas insuficientes. “Não sabemos quantos informais, autônomos e
trabalhadores por conta própria, entre outros, vivem nesses municípios. As estimativas
que fixemos estes municípios representam o mínimo que receberão, considerando o
CadÚnico, mas certamente a circulação de renda será maior”, explica Felippe,
acrescentando que isso não acontece com a projeção para o Estado. “Conseguimos
encontrar essas informações em termos estaduais, o que nos permite precisar o valor
que deverá circular em Alagoas nos próximos três meses”, complementa.
O economista ressalta que, segundo o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)1, a circulação pode ser um pouco maior em termos
estaduais, já que cerca de 993 mil pessoas estariam aptas a receberem o auxílio
emergencial, o que aumentaria as estimativas mensais para R$ 595.8 milhões (R$ 16.1
milhões acima do estimado pela Fecomércio), representando 30% da população de
Alagoas.
o-auxilio-emergencial-em-alagoas/>, acesso em: 14/04/2020 às 10h26

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Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Alagoas

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